Friday, December 14, 2018

Um objeto, a dor...

 Roberval andava cabisbaixo, ninguém entendia o porque. Andava de um lado para outro, resmungando para si. 
    Não queria ter feito aquilo, foi exagerado, não precisava de tudo aquilo. Parou um pouco sentou em sua cadeira, pensou: "deveria ter esperado, ter ido com mais calma, não ter gritado".
    Roberval pensou, pensou..... Pegou o telefone, começou a discar, parou. Pensou um pouco mais, será que deveria ligar?
    Respirou, voltou ao seu projeto, se concentrava... ufa.... conseguiu voltar a si, não pensou mais sobre aquela manhã. Afinal, o projeto era curto tinha que entregar e não poderia ficar pensando em pormenores.
    Pegou um ótimo ritmo estava quase acabando, quando veio na mente aquela manhã. Que merda!!!- resmungou para si.
    Quando estava indo almoçar, aquele aperto no coração, aquela vontade veio à tona, ligou, esperou atender, esperou, esperou... e nada. 
    Quando voltou do almoço retomou sua labuta, trabalhou, se organizou, se planejou. Trabalho, trabalho, trabalho. Que ritmo, se sentia orgulhoso, estava quase terminando seu projeto, nossa Roberval não sabia que era capaz de fazer tanto em tão pouco tempo.
    Respirava, colocava o lápis na boca, refletia sobre o projeto, voltava a rabiscar, de repente olhou para o relógio 15h40,  tudo ficou claro, sabia o que estava fazendo, sabia o que queria, aonde ia. Estava satisfeito, realizado.
    Voltando para casa, sensação deliciosa de dever cumprido, tinha conseguido realizar suas metas em tempo hábil, um sentimento de satisfação percorria seu corpo, indo embora no seu carro dirigindo, ouvindo as suas "baladas" preferidas, xingava, externava seus sentimentos, urrava.
    De repente, amarelo, vermelho o farol fechou, parou, voltou a pensar sobre aquela manhã, o dia não estava completo. O sentimento de aperto começava, o farol abriu, seus pensamentos o levaram para lugares desconhecidos. Buzinas, Roberval voltava a si, tinha que dirigir, estava chegando perto de sua casa, quando viu luzes vermelhas piscando, estranho, o que tinha acontecido, bombeiros, ambulância, nossa o que aconteceu - foi seu primeiro pensamento. A medida que se aproximava de sua casa as luzes ficavam mais fortes, sentimento de preocupação tomou conta de seu corpo. 
    Chegou no portão de sua casa, não havia dúvidas, era ali, ficou atordoado, não sabia o que fazer, não sabia se corria, se ficava parado, se aproximava, se gritava... quando viu.... sua esposa.... 
    Ela estava ali com seus cabelos loiros, meio bagunçados, estava em pé braços cruzados, chorando copiosamente, sendo acolhida por uma policial, e ele não estava lá. 
    Se aproximou dela, passo a passo, refletindo e formando várias histórias em sua mente vaga. Quando chegou perto, ela o olhou, e chorando, caiu em seus braços.
    -Me fala o que aconteceu!! Por favor, cadê o Júnior? Maria, cadê o Júnior?
    Ela chorava mais e mais em seus braços, não conseguia proferir uma palavra, era só choro, choro, choro.
    A policial olhava para Roberval, colocou o braço em seu ombro e lhe deu a pior noticia, que poderia ter ouvido em sua vida.
    Júnior às 15:30, abriu o portão de sua casa munido de sua bicicleta, quando um rapaz de meia idade, visivelmente alterado, olhou para ele, tentou roubar sua bicicleta. O filho de Roberval, não poderia deixar sua bicicleta ir tão fácil, afinal era seu único meio de transporte, se divertia com ela, ia aonde queria, com sua bicicleta era livre.
    O rapaz vendo que não teria facilmente aquele objeto, que ele não queria tanto, sacou a arma que andava consigo presa em sua cintura, apontou para a cabeça de Júnior e .........  

Thursday, December 06, 2018

VOLTAR A ESCREVER 2

Por que voltar? Por que ir? Por que seguir? Por que parar?

O porque de tudo, dessas pequenas coisas, das grandes coisas.
O porquê.

O que nos impede, o que nos move, o que nos inspira, o que nos aquece, o que nos tira o tesão.
O porquê.

Por quê? Por que das coisas serem assim?
O porquê.

Cansei do porque, quero fazer. Cansei do quando, quero agora, Cansei do como, quero fazer. Cansei do onde, quero aqui.
O porquê.

Why?
O porquê.

Contos e descontos, contos e arranjos.
O porquê.

Obrigado, grato a você existir, por quê.